Archive for the ‘ Crônicas e Afins ’ Category

O dia do aniversário

Podia ser qualquer outro dia, mas era uma segunda-feira, dia 16 de agosto, meu aniversário. Penso, poderia ter sido despedida qualquer outro dia da semana, do mês, do ano, mas não, teve que ser no dia 16 de agosto, meu aniversário.

Naquela manhã do dia 16 fez sol, o dia estava lindo, os pássaros cantavam e eu, bom, eu estava mais que feliz, afinal, era o meu dia. Sou do tipo que não gosta de “auê” geral no aniversário, aquela coisa brega de parabéns no meio da lanchonete ou gritaria na rua. Odeio, pra ser sincera. Já tentei escapar culpando meus quase 3 graus de miopia, mas infelizmente nunca deu certo. Portanto, fixei a discrição como meu lema para não ter surpresas desagradáveis no estágio – já que na faculdade os quatro anos anteriores foram o suficiente para nunca mais conseguir escapar do tal “auê” de aniversário.

Bom, as coisas por lá (no estágio) estava mais que normais: Como de praxe, eu tinha um milhão de follows e releases pra fazer (adoro fazer follow – ok, foi um comentário pra lá de irônico) e minha chefe estava aquela doçura de todos os dias. Só pra vocês terem uma idéia: Imaginem, por favor, o que é ter uma chefe que é pastora de igreja? Ok, não preciso dizer mais nada. De fato, acho que fiquei mais religiosa depois dessa experiência… Confesso que, mesmo sem querer, me pegava pedindo paciência ao Senhor

De fato, eu já não estava mais gostando dali. Tentei sair duas vezes antes, mas fui convencida de que eu deveria ficar, de que eles precisavam de mim, de que as coisas iriam melhorar. Ouvir elogio é complicado… pra quem acredita neles. Foi meu caso. Eu acreditei que eu era parte da família, que eu deveria ter paciência e que eu estava trabalhando muito bem.

Mas foi no dia do meu aniversário, bem no dia 16, que minha chefe se vestiu de Roberto Justus e me deu o presente de onça mais top de todos os tempos. “Você está demitida!”. É, queria eu estar brincando, mas de fato aconteceu. Não poderia ter esperado até o dia 17? Não, foi no dia 16! Pronto, ali estava minha pessoa, aniversariante e…recém demitida.

Politicagem é a bola da vez

Vamos todos fazer politicagem a partir de agora. “Não está satisfeito no trabalho? Quer subir rápido e ganhar aquela promoção? Quer se livrar daquele colega que compete com você? Quer culpar alguém por aquele seu deslize?”. A idéia é tão boa que parece até anúncio de algum produto da empresa fictícia Tabajara, “Seus problemas acabaram! Chegou o Politicalization in Company Tabajara!”. E a politicagem venderia se fosse um produto, viu! Garantiria melhores resultados se ainda fosse usada junto com outro, mas conhecido como Óleo de Peroba. O melhor do Politicalization in Company seria o fato de poder ser usado sem restrições e em qualquer ambiente. Com certeza seria sucesso de vendas, ainda mais se tivesse José Sarney como garoto propaganda. O jeitinho malandro de conseguir resultados através de manipulações de fato ainda não virou um produto consumível, mas chegou perto. Trata-se de uma vertente para o conhecido xadrez, com a diferença de que cada peça representa um ‘elemento’ político. O Rei é o Presidente; a Rainha, a Justiça; os Bispos, os senadores; a Mídia, os cavalos; o Congresso Nacional, as torres; e claro, os Peões os deputados. Adivinha o nome do jogo? Politicagem. Irônico, não? E quem foi que disse que a politicagem não dá dinheiro… Como a própria caixa do jogo indica, tudo acaba em pizza.

Correndo contra o atraso

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Que relaxante acordar tranquilamente, se espreguiçar, abrir os olhos com calma, pensar no novo dia que está começando… Graças a Deus ainda são 7h. Viro para o lado, estico o braço à procura do relógio-despertador e… 8:30h?! Como assim são 8:30h?! Puta que pariu, perdi a hora, de novo! Em um pulo me levanto, corro para o armário – que difícil é escolher roupa com pressa! – pego a primeira roupa ajeitada que me parece boa e visto-a rapidamente. Calço os sapatos, entre tropeços, enquanto me dirijo ao banheiro. Jogo água no rosto pra dar aquela acordada e escovo os dentes – mais acertando a gengiva do que o próprio dente.  Corro para o quarto, penteio os cabelos e jogo na bolsa o protetor solar, o batom e o blush. Em uma corrida, saio do quarto rumo à porta de saída. No caminho encontro um espelho. Dou uma checada no visual e me constato horrível, mas lembro que estou atrasada e logo passo a odiar a existência de espelhos. Saio e tranco a porta. Chamo o elevador. Espero o que parece uma vida até a caixa transportadora dar sinal de sua existência. “Desce?” perguntou à senhora que lá está. “Não, está subindo, querida”. Sinto uma corrente de adrenalina invadir meu corpo e a vontade de gritar um palavrão me domina.  Me seguro e solto apenas um “obrigada”. Parto para as escadas. Penso que poderia ser pior, ao invés de morar no 12º andar poderia ser no 24º. Ok, pensamento positivo nessa hora até parece fazer efeito. Acabada e suada chego, enfim, à garagem. Enquanto o portão automático mostra serviço, aproveito para passar o protetor solar – quem sabe o batom e o blush entram em ação num semáforo fechado? Milagrosamente o trânsito flui. Vejam só que irônico, por um momento sinto-me com sorte no dia. Viro a última esquina antes de chegar ao trabalho às 9:45h (entro às 9h). Ufa! Cheguei. Deixo o carro no estacionamento e vou direto para o consultório. “Bom dia, dona Elvira” diz Severino, segurança há anos da Clínica. “Bom dia, Severino”. Um pouco desconfiado, Severino me abre a porta do elevador e indaga: “Oh dona Elvira, a senhora ta bem?”. Penso que a pergunta seja referente à minha péssima aparência e logo respondo “estou sim, Severino, essa correria que me mata, viu!”. Severino ri e ao soltar a porta do elevador ,“é dona Elvira, o que mata é trabalhar até no sábado, né!”. Opa, opa, opa, opa, opa! Sábado?! “Hoje é sábado?!” e sim, era sábado. Que legal tanta correria para nada. Fiquei tão frustrada que a única coisa que me restou foi enfim, rir de mim”.

Erros e Acertos

caminhos

Reconhecer um erro é difícil, pois quando o reconhecemos, assumimos que estamos errados e no fundo, todo mundo quer sempre estar certo. Mas mesmo não querendo assumir, nós nos enganamos e erramos algumas, ou muitas  vezes.

Tudo na vida tem sua hora certa pra acontecer (acredito). Temos um determinado tempo pra reconhecer ‘pisadas na bola’ e quando ele passa, lá se vai nossa chance de fazer o certo ou de dizer que  finalmente entendemos.

Acredito não existir maior angústia do que perceber um erro e não ter a chance de consertá-lo. Aliás, talvez seja um pouco de castigo por parte de quem magoamos não nos dar uma segunda chance. O ressentimento é um saco! Ele impede que as coisas fluam.

Algumas coisas a gente só aprende quando sente na pele. Sabemos e aprendemos conforme  vivemos e fazemos.  Mudamos a cada ano, a cada dia, a cada minuto. Deve ser por isso que existem livros  para serem lidos ao longo da vida, pois a cada vez que os lemos, tiramos algo novo, um ponto de vista novo, coisas que  não havíamos percebido na última leitura.

Acho que o tempo deveria nos dar uma trégua de vez em quando e nos deixar fazer a coisa certa, pois às vezes nós demoramos, mas em nosso tempo, entendemos os erros que foram cometidos.

Mas não funciona assim, não é? E quando o tempo passa só nos resta aprender com tudo.

As pessoas vêm e vão e elas não esperam o seu tempo, elas têm o próprio tempo, logo, esperar que alguma pare tudo e te ouça é um tanto que inútil. Na verdade, acho que essa é a grande pegadinha do tempo. Na verdade,  o que importa mesmo é quando VOCÊ se dá uma trégua, quando VOCÊ entende e perdoa a si mesmo pelos erros cometidos.

O tempo tem seus contras, mas as maravilhas dos prós compensam qualquer sofrimento. E por esse motivo, chego a sentir dó de quem guarda ressentimentos.  O mesmo tempo que te tira uma chance de consertar algo estragado, te dá uma nova chance para recomeçar. E se você aprendeu com as lições do passado, vai saber aproveitar muito bem a nova oportunidade

Ande pra frente e não leve consigo pendências, parece clichê e na verdade é, mas é o conselho mais sábio que já ouvi”.